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Tropa de Choque da PM e policiais civis entraram em confronto na região do Morumbi, na zona oeste
Carros da PM e a cavalaria foram acionados; houve confronto entre policiais e manifestantes
Policiais civis tentaram passar pelo cordão de isolamento da PM para chegar ao Palácio dos Bandeirantes
Após confronto com PMs, policiais civis em greve mantiveram um protesto no Morumbi e, a exemplo de manifestação anterior, voltaram a pedir a saída do secretário da Segurança, Ronaldo Marzagão
Por unanimidade, STF condena uso excessivo de algemas
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» 16 mil cumprem medidas educativas
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"Não é uma lei para a Suíça. O principal objetivo de uma legislação como o Estatuto é modificar a realidade brasileira, e não se adaptar à realidade. Somos da área jurista mais progressista e a realidade precisa se adaptar ao ECA", avalia o conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Ariel de Castro Alves.
O ECA prevê, entre outros pontos, que nenhuma criança ou adolescente será alvo de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, estabelece a criação de conselhos tutelares e varas especializadas em Direito da juventude, além da universalização de creches e escolas públicas.
"Com certeza temos hoje a melhor legislação do planeta. O que nós temos em contrapartida é a pior prática. O defeito não está na lei. É uma constituição legislativa especial. O defeito está nos executores da lei, no Legislativo, no Executivo, no Judiciário e no Ministério Público", acredita o desembargador da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Siro Darlan.
Para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, o ECA representa um conjunto de normas "de natureza protetiva e preventiva", adotado em substituição ao "autoritário e centralizador" Código de Menores. Editada na década de 1970, essa legislação, explica Mendes, "resumia-se a segregar menores em situação irregular com base na ideologia de punir por punir seus carentes e abandonados".
"O inoperante código (de Menores) protegia, reprimindo na forma de intimidação ostensiva aos inadaptados, infratores, vigiava apartando e isolando", observa Mendes. "A um só tempo (o ECA) preencheu as lacunas surgidas diante da exigência de um novo contexto social e viabilizou avanços significativos no tocante a políticas públicas voltadas ao desenvolvimento social bem conduzido dos jovens", comenta o presidente do STF.
A entrada em vigor do ECA, em julho de 1990, foi responsável, por exemplo, por tirar do trabalho em olarias de Palhano (CE) o então menino Zeca, hoje o conselheiro tutelar José Valmir Gomes. Abandonado pela mãe com apenas 16 dias de vida, Zeca foi adotado por outra família, mas, após a morte dos pais, teve de trabalhar, ainda criança, para completar a renda da avó. Hoje, no segundo mandato como conselheiro tutelar, Gomes trabalha pela erradicação das violações aos direitos das crianças em Palhano.
Apesar das conquistas do ECA nos últimos 18 anos, o Sistema de Informação para a Criança e o Adolescente (Sipia) registrou, de 1999 a 2008, 600 mil casos de violência doméstica contra menores, sendo mais de 300 mil cometidos pelos próprios pais. A cada 10 horas, aponta o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), uma criança de 0 a 10 anos é assassinada. São 16 por dia.
"A maioridade do ECA significa também maturidade, que a família seja madura, que o poder público aplique a lei, que o poder administrativo priorize em sua pauta políticas que favoreçam as crianças", defende Siro Darlan.
A criação de conselhos tutelares, uma das determinações do ECA, foi em sua maior parte cumprida, mas apenas para garantir que a União não deixe de repassar recursos obrigatórios para os municípios, acredita Ariel de Castro Alves. "Cerca de 90% dos municípios têm conselhos tutelares, mas muitos criam só por forma, porque o governo não repassa recursos para municípios que não tenham conselhos. Existem cidades em que o conselho se reúne em praça pública porque sequer tem sede para se reunir", afirma.
"As varas especializadas e promotorias da infância foram criadas, mas os promotores também são promotores criminais, são também os que fiscalizam presídios. Não é uma vara especializada da criança e do adolescente. É preciso uma melhor estrutura das varas e promotorias", critica Castro. "Tem local em que o conselheiro tutelar ganha R$ 70. É inadmissível que o conselheiro, que tem que se dedicar integralmente (ao trabalho), ganhe uma gorjeta".
A subsecretária de Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Carmen Oliveira, admite que ainda existem muitos problemas a serem resolvidos para que o ECA seja plenamente cumprido. "Em síntese poderíamos dizer que o ECA está longe de ter atingido a maioridade. Não significa que chegamos a um estágio considerado satisfatório", diz Carmen.
É inquestionável que 18 anos é insuficiente para implementar algumas dificuldades. A população de crianças e adolescentes é muito grande, são 62 milhões delas, o que representa a população total de um país europeu. É a maior população infantil das Américas, e nós no Brasil temos uma história secular de desigualdades", avalia.
Educação e saúde de qualidade
Apesar da universalização da educação nos últimos 18 anos, a qualidade do ensino público oferecido no país ainda é muito questionada pelos idealizadores do Estatuto da Criança e do Adolescente. "Temos alguns nós a desatar, a começar pelo direito à educação. Os avanços são muito tímidos. A melhor coisa foi melhorar o acesso à educação, estamos próximos à universalização do acesso, com 98%, mas o maior desafio se refere à qualidade do ensino. Isso, nesse momento, é crucial", acredita Carmen Oliveira.
"Tivemos os avanços na educação (nesses 18 anos), pelo menos ao acesso ao ensino, mas a qualidade é extremamente baixa", completa o integrante do Conanda, Ariel de Castro Alves.
As metas de redução da mortalidade infantil e o atendimento médico e hospitalar para crianças e adolescentes, também um dos pilares do ECA, têm sido aperfeiçoadas ao longo dos 18 anos, mas o Brasil, com atuais 23 mortes a cada mil nascidos vivos, ainda está a léguas de distância de países como Cuba, com sete mortes a cada mil, ou o Japão, com três óbitos por grupo de mil.
A despeito dos avanços na área de Saúde, o Brasil ainda registra casos como o da Santa Casa de Misericórdia do Pará, por exemplo. O número de mortes de bebês na instituição já ultrapassa os 260, desde o início do ano.


Policial é suspeito de atirar em sua mulher e filho?
O policial civil de 44 anos está foragido.
Segundo testemunhas, as brigas do casal eram freqüentes.
Saiba mais
§ » Homem consegue fugir após manter ex-mulher refém por 5 horas
Um policial civil de 44 anos é suspeito de ter baleado a esposa e o filho de 7 anos por volta das 21h30 de sexta-feira (11) na casa dele no Parque Novo Mundo, na Zona Norte da capital, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
A mãe e a criança foram conduzidas ao Pronto-socorro Nipo Brasileiro, onde passaram por cirurgia. O suspeito fugiu em seu carro.
Segundo testemunhas, as brigas do casal eram freqüentes e o policial teria ameaçado a família de morte. Um vizinho ouviu tiros e foi até o local, onde encontrou o menino ferido, dizendo que o pai havia atirado nele.
Na sala da casa, policiais militares localizaram a mulher de 33 anos que estava ferida e perdia muito sangue. O caso será investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.
Atriz de "Tropa de Elite" faz capa clássica da "Playboy"| Rodrigo Lopes/"Playboy" | ||
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| Atriz Maria Ribeiro, que viveu Rosane em "Tropa de Elite", protagoniza a seção "Capas Clássicas" da "Playboy |
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Bastante animado com o convite, Carlini estava desde 1999 longe dos telejornais diários. “Essa é uma contratação muito importante que estamos fazendo neste momento. Além da experiência, Carlini está chegando com energia muito grande, com mil idéias”, disse Benny Cohen, editor de mídias convergentes dos Associados Minas e responsável pelo jornalismo da TV Alterosa. O novo apresentador contou que vai imprimir velocidade ao Alterosa urgente, sua marca registrada. “Vamos fazer um jornal bem frenético, com análise, comentário, interatividade, colunistas e muitas notícias exclusivas. Os telespectadores só vão piscar quando o programa acabar”, garante Carlini. A expectativa do jornalista é consolidar a vice-liderança no horário. pautas O tripé do Alterosa urgente é cidade, serviço e polícia, assim, suas pautas são mais voltadas para a comunidade e segurança pública. O telejornal é exibido na seqüência da primeira edição do Jornal da Alterosa. De acordo com Benny, essa ampliação do espaço dedicado ao telejornalismo repercutiu de maneira muito positiva na audiência. Enquanto o Alterosa urgente tem um apelo mais popular, com debate e comentário que se atém aos fatos, o Jornal da Alterosa amplia a abordagem de um tema local, mas sem descuidar do factual, que faz parte do mix proposto pelo telejornal. O formato do Alterosa urgente exige apresentador que exerça verdadeiramente o papel do âncora. Muitas vezes, as reportagens geram comentários longos, que consomem mais tempo do que a própria matéria. O telejornal tem uma característica editorial muito grande. Por este motivo, o âncora precisa ter muita experiência e deve estar sempre muito bem informado em todas as áreas. “A experiência é que diferencia um comentário simples, como dizer “tal coisa é um absurdo” e passar para a próxima matéria, de outro comentário ou questionamento fundamentados com dados e |
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Liberdade ou dignidade: internet *
O debate acerca dos direitos humanos, historicamente, floresce com maior intensidade após revoluções sociais, transformações culturais, guerras e/ou conflitos armados. O seu objetivo central, em síntese, visa conciliar as contradições sociais e garantir, via leis e políticas públicas, a dignidade humana.
Bolzan de Morais (2004) defende que os direitos humanos são específicos de determinado momento histórico e nascem para suprir as necessidades sócio-culturais para a realização da cidadania.
“(…) os direitos humanos não nascem todos de uma vez, eles são históricos e se formulam quando e como as circunstâncias sócio-históricos-políticas são propicias ou referem a inexorabilidade do reconhecimento de novos conteúdos – como também a necessidade que temos de dar-lhes efetividade prática. (…)” (BOLZAN, 2004, p. 121).
A rede mundial de computadores evidencia um novo desafio para os direitos humanos, uma vez que ciberespaço constitui-se como um novo espaço antropológico, pois “trata-se de um novo tipo de organização sociotécnica que facilita a mobilidade no e do conhecimento, as trocas de saberes, a construção coletiva do sentido, em que a identidade sofre uma expansão do eu baseada na diluição da corporeidade, ou seja, o que se perde em corpo se ganha em rapidez e capacidade de disseminar o eu no espaço-tempo”. (SILVA,2001, p. 152).
São nos espaços antropológicos que a significação sócio-cultural desenvolve-se. A novidade deste novo espaço diz respeito ao seu suporte: relações mediadas por computadores. Relações estas, que põem na berlinda concepções clássicas como cidadania, Estado, território e a sociabilidade.
“(…) um novo mundo virtual ou mundo mediatizado – é um suporte aos processos cognitivos, sociais e afetivos, os quais efetuam a transmutação da rede de tecnologia eletrônica e telecomunicações em espaço social povoado por seres que (re) constroem as suas identidades e os seus laços sociais nesse novo contexto comunicacional”. (SILVA, 2001, p. 153).
Cabe destacar que as relações inter-pessoais, desenvolvidas na internet, não são regidas por critérios de pertencimentos geográficos ou encontros presenciais. Cada vez mais, os browsers tornam-se não-lugares, onde se desenvolvem relações baseadas em topologias de interesses comuns, rompendo a clássica estrutura dos territórios como fundadores para a construção de identidades. Uma vez em crise, a construção da identidade afeta a própria constituição da cidadania, visto que a delimitação dos territórios e a segurança sobre este, ou seja, a soberania, era sinônimo de garantia de direitos aos indivíduos à determinado espaço concernido. Essa visão da cidadania é uma resultante das grandes revoluções liberais (com o lema Igualité, Fraternité e Liberté) do século XVIII, e caracterizada pela primazia do Estado-Nação como coletividade política que agrupa os indivíduos. Esta cidadania equivale à nacionalidade.
Atualmente, o argumento do “desencaixe dos sistemas sociais”, proposto por Giddens explica as transformações por que passa a cidadania. Conceitua ele, que o “desencaixe dos sistemas sociais” é o “deslocamento das relações sociais de contextos locais de interação e sua reestruturação através de extensões indefinidas de tempo e espaço” (GIDDENS, 1991, p. 29)
Entretanto, a internet, em essência alicerça-se no princípio kantiano de liberdade, um direito irresistível e esse direito (de ser livre), conseqüentemente, garantiria a cidadania. A liberdade no ciberespaço materializa-se tanto no livre tráfego as diversas homepages como a garantia da livre expressão no espaço digital. Se a liberdade para a expressão assegura os direitos dos sujeitos na democracia moderna, na web este direito é potencializado, tendo em vista que, dentre as característica fundadoras da cibercultura, a liberação do pólo emissor é a mais louvável no leque de transformações sócio-culturais oriundas da teia mundial. A liberação do pólo de emissão – devido a novas ferramentas digitais, possibilitou que novas vozes pudessem romper com ditadura do discurso, capitaneada pelos mass media e dotou os indivíduos com uma roupagem argumentativa, tornando-os ativo no debate social, condição sine qua non para o exercício da democracia.
Mas, as constantes queixas e denúncia de atividades realizadas no ciberespaço contra os direitos humanos, principalmente aos danos à imagem e a maculação da honra relativizam a celebração do “liberou geral” na web.
Somente no primeiro semestre de 2006, a SaferNet Brasil registrou 55.842 denúncias. Destas, 52.410 se referem as páginas e comunidades no serviço Orkut, sendo que 44,34% estão relacionadas a pornografia infantil e pedofilia e 18,05% a apologia e incitação a crimes contra a vida. A SaferNet é uma organização não governamental sem fins lucrativos que combate crimes contra os direitos humanos na internet. Os relatórios apontam que o caráter liberal (no que tange a emissão de pensamentos) facilita a proliferação de mensagens ofensivas. Em uma sociedade onde a liberdade de expressão é o direito irresistível, do qual se referia Kant, “a defesa da liberdade de opinião em geral teria como corolário a obrigação de defesa da expressão de quaisquer opiniões independentemente do seu valor cultural e político e a prescindir da aceitabilidade ou não do seu conteúdo” (GOMES, 2002, p. 106). Outro aspecto levantado seria o caráter rizomático da rede, descentralizado, que dificulta o controle dessas mensagens, uma vez que um site censurado em determinado país encontra “abrigo” facilmente onde o crime outrora punido é mais aceitável ou as leis são mais flexíveis e/ou menos rígidas. Apesar de interessante debate sobre a viabilidade ou não de se controlar a emissão de conteúdo na web, o presente artigo tem como objetivo discutir a relação entre os direitos humanos e o ciberespaço, em particular no debate em que o caráter burgues-liberal, atenta em alguns casos, contra a própria dignidade humana, razão existencial para os direitos humanos.
O problema é polêmico: a liberdade de expressão é mais valiosa do que a dignidade humana?
A liberdade como direito
A liberdade de expressão é antes de tudo burguesa. Ela nasce da luta entre da burguesia contra Estado aristocrático, objetivando a sua inserção nos debates deliberativos políticos. Acreditava a burguesia, assim como mostrou a experiência grega democrática, que as decisões referentes à esfera política deveriam ser realizadas mediante debate público, a vitória do melhor argumento e proposta para a condução da vida pública.
“a liberdade de expressão é antes de tudo um princípio negativo. Nasce no mesmo contexto das discussões sobre esfera pública e opinião pública e em aberta polêmica contra o Estado aristocrático. Surge como bandeira de uma classe – a burguesia- economicamente predominante, mas privada de poder político, justamente como reivindicação de participar da decisão dos negócios políticos”. (GOMES, 2002, p. 113).
A liberdade de expressão é o conceito fundador da democracia moderna, uma espécie de termômetro para avaliar o nível democrático de cada país. Quanto maior a livre expressão de idéias mais democrático é um Estado. Tal direito está presente na Declaração Universal dos Direitos Humanos, elaborada em pela Organização das Nações Unidas – ONU, em 10 de dezembro de 1948.
No artigo 19º lê-se:
“Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão”.
Na Constituição da República Federativa do Brasil, o artigo 5º defende-se que:
“IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.
Dessa forma, as cotas de poder individual encontram na liberdade de expressão a forma de se manifestar, uma vez que as questões sobre o bem comum são decididas mediante a “arte da palavra”, o poder do convencimento e persuasão dos seus pares.
O direito a dignidade
Dignidade é a palavra que resume todas as leis, normas e políticas no que tange os direitos humanos. A dignidade é a busca contínua dos direitos humanos. Bolzan de Morais (2004) conceitualiza:
“direitos humanos é o conjunto de valores históricos básicos e fundamentais, que dizem respeito à vida digna jurídico-político-psíquico-físico-econômica e afetiva dos seres e de seu habitat, tanto daqueles do presente quanto daqueles do porvir, surgem sempre como condição fundante da vida, impondo aos agentes políticos-jurídico-econômico-sociais a tarefa de agirem no sentido de permitir e viabilizar que a todos seja consignada a possibilidade de usufruí-los em benefício próprio e comum ao mesmo tempo”. (BOLZAN, 2004, p. 123)
Norbeto Bobbio (1992) entende que os “direitos humanos são coisas desejáveis, isto é, fins que merecem ser perseguidos”. Na concepção de Bobbio a defesa dos Direitos Humanos é essencial para a Democracia e que “o problema fundamental em relação aos direitos do homem, hoje, não é tanto o de justificá-los, mas o de protegê-los. Trata-se de um problema não filosófico, mas político”.
Torna-se um problema político a partir do momento em que o Estado não é capaz de proteger e garantir os direitos das minorias, bem como o de todos os cidadãos, preservando-os da discriminação, difamação e humilhação. O princípio básico do Estado é garantir a segurança do mais fraco, mediar os conflitos objetivando um ponto de equilibro entre os envolvidos. A existência e eficiência de tal Estado constituem também as condições mínimas para garantir a dignidade humana.
Internet, liberdade e dignidade
Ao analisar a internet como um novo espaço antropológico, a professora Lídia Silva (2001) sinaliza a necessidade de um novo modus operandi para a elaboração de leis, no que tange a vida no ciberespaço, segundo ela “pluralista” e “aberta às diferenças”, isso porque:
“a estrutura descentralizada das aldeias eletrônicas interligadas a escala mundial desafia as regras básicas que até hoje presidiram à elaboração de leis. Subitamente, de cada território é possível partir para todos os territórios e estabelecer contacto com gente que neles vive. As novas relações geram-se em tempo real, galgam fronteiras, são avessas a peias fiscais e burocráticas, põem em crise as formas tradicionais de combate ao crime e tornam flagrante a debilidade das formas de cooperação entre Estados, pesadas, inapropriadas e lentas (MAGALHÃES, 1999. p. 43).
As novas leis, que se refere Lídia, precisam pautar-se pela dignidade humana, mesmo que para isso relativize o elemento estruturante da democracia moderna e potencializada pela internet: a liberdade. Para Gomes (2002), ao definir-se a dignidade humana como único valor absoluto, a valoração da livre expressão perde legitimidade, isso porque ao permitir qualquer tipo de declaração e/ou expressão de pensamento pode colocar em risco a própria dignidade humana. “É porque os homens são dignos que a vontade livre é um valor, porque dignos, os homens devem ter assegurada a sua liberdade no modo de vincular-se e existir no interior do contrato enquanto em alguma situação concreta de aplicação não produzam efeitos contrários à dignidade humana”. (GOMES, 2002. p. 112)
Ao se levantar a tese do controle da expressão, mesmo que para garantir um bem maior e objetivo dos direitos humanos, a dignidade humana, vozes demagógicas levantam-se em defesa da liberdade de expressão, como princípio básico para a efetivação da democracia e cidadania. Porém, até nos princípios democráticos norte-americano, base teórica para concepção da livre expressão como elemento estruturante da democracia encontram-se algumas ressalvas quando a tal liberdade de publicação:
a) A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não é absoluto, e não pode ser usado para justificar a violência, a difamação, a calúnia, a subversão ou a obscenidade.
b) O desafio para uma democracia é o equilíbrio: defender a liberdade de expressão e de reunião e ao mesmo tempo impedir o discurso que incita à violência, à intimidação ou à subversão.
Gomes (2002) sentencia “mesmo o Código de Direitos mais humanista, democrático e liberal jamais afirmou que a liberdade de expressão seria um direito absoluto. As restrições a que se submete decorrem da sua acomodação a outros direitos que lhe são equivalente ou, até mesmo, superiores. (…) A liberdade de expressão é um valor moral e é legitima eticamente apenas enquanto o seu exercício não produzir atos cujos efeitos sejam contrários à dignidade dos outros. (GOMES, 2002, p. 112).
Não se pretende defender a censura ou desqualificar a liberdade como um valor, um direito ou princípio, mas até esta deve ser orientada pelos elementos que garantam a dignidade humana. Defender a liberdade de expressão como valor é louvável, porém os discursos desta livre expressão nem sempre são legítimos, eticamente. Segundo Bobbio, a elaboração de um novo direito acabar por gerar uma manutenção ou revisão de um velho direito. “O reconhecimento do direito de não ser escravizado implica a eliminação do direito de possuir escravos; o reconhecimento do direito de não ser torturado implica a supressão do direito de torturar” (BOBBIO, 1992, p. 20).
** Yuri Almeida é jornalista e blogueiro.
* Artigo apresentado à disciplina Direitos Humanos no Brasil e no Mundo e os Tratamento de Temas Judiciais pela Imprensa (história, evolução e leis), integrante da pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo, Faculdades Jorge Amado. Janeiro de 2009.
Polícia Militar de São Paulo mata 55% mais em 2008 " É ASSIM QUE SE FALA COMPANHEIROS"
A Polícia Militar de São Paulo matou 55% a mais de pessoas no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2007. Foram 107 mortes em confronto, ante as 69 registrados entre janeiro e março de 2007. Índices correlatos, como prisões em flagrante e feridos em tiroteios com PMs, se mantiveram estáveis. A maior alta foi em janeiro, quando a Secretaria da Segurança Pública (SSP) registrou 41 embates com mortes - 17 a mais do que em 2007.
Os comandos de policiamento da capital e da região metropolitana respondem por pouco mais de 50% dos casos. Em seguida, vem o Comando de Policiamento de Choque, com 18 casos. Os nove comandos de policiamento do interior deixaram 25 mortos. No mesmo período, oito PMs morreram em serviço, número igual ao de 2007.
Para o sociólogo Túlio Kahn, da Coordenadoria de Análise e Planejamento da SSP, o crescimento da letalidade policial pode estar relacionado à série de ataques contra as forças de segurança, em maio de 2006, quando foram contabilizados 66 casos de confrontos com mortes. "Na ocasião, o comando deu um claro recado à tropa para que não partisse para o enfrentamento desnecessário", diz Kahn. Coincidência ou não, as ocorrências de resistência seguida de morte caíram, atingindo o menor patamar da década no primeiro trimestre de 2007. "A tendência de alta ressurgiu de um ano para cá." Kahn levanta outras hipóteses: a maior "produtividade" da corporação - medida pelo número de prisões, apreensões etc - e o que chama de "efeito Tropa de Elite". "A sociedade pode estar um pouco mais permissiva em relação à violência policial." As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo"
O filho de um empresário de Carapicuíba, na Grande São Paulo, dono de uma transportadora, conseguiu escapar do cativeiro onde era mantido, em Americana, no interior de São Paulo, desde sexta-feira, quando foi seqüestrado.
Na noite de ontem, um dos seqüestradores adormeceu enquanto vigiava o cativeiro e, aproveitando-se do descuido, a vítima atingiu o bandido com três golpes de machado. O seqüestrador morreu no local.
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